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Uma minoria no sentido que aqui é usado não é apeas um pequeno grupo, porque muitos pequenos grupos de pessoas tais como crianças prodígios musicais ou génios matemáticos não são chamados de minorias. Por outro lado, alguns grupos, na verdade, até maiorias estatisticas – como os cidados negros da Africa do Sul, sob o apartheid e mulheres em muitos países por todo o mundo – reclamaram para si proprios o estatuto de minoria. Parece que, o elemento definitivo no conceito de minoria social é o desbalanço político e social, uma desvantagem imposta, uma discriminação negativa, uma falta de poder. Contudo, enquanto a falta de poder é total, nenhuma minoria pode-se constituir. Os indivíduos oprimidos continuam isolados e se atraírem atenção, são apanhados um a um e acusados de perturbar a paz social. Podem formar uma minoria só quando se juntarem a outros e fizerem uma causa comum, apresentarem-se ao public como um grupo e aasim se tornam uma força social, pelo menos potencialmente. Por outras palavras: As minorias são grupos de indivíduos oprimidos que, na base de um interesse comum, desenvolveram solidariedade com outros e assim ganharam um certo poder, mesmo se este for apenas simbólico. Limitado como este poder inicial pode parecer, permites-lhes que eles e outros exigam o fim da sua opressão.
Comentário: a auto-identificação como minoria é o primeiro passo para o reconhecimento da maioria, mesmo quando esse reconhecimento consiste em novos insultos e ataques futuros. Estamos a lidar com um paradoxo: os oprimidos precisam pelo menos de algum poder a fim de demonstrar a sua injustificada falta de poder. Contudo, o seu objetivo principal – e este é o segundo paradoxo – é juntar-se a uma maioria mais tolerante como cidadãos “normais” e assim perder o seu estatuto de minoria. Mesmo assim, ainda podem cultivar a sua "cultura minoritária", porque é geralmente percebida como sendo não ameaçadora e popular.
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