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Paolo Mantegazza (1831-1910) foi um médico italiano e antropólogo, que publicou uma famosa e científica "Trilogy of Love" (Trilogia do Amor), i.e., os três volumes "Fisiologia dell' amore" (Fisiologia do Amor, 1872), "Igiene dell' amore" (Higiene do Amor, 1877) e "Gli amori degli uomini" (Os Amores da Humanidade, 1885). A tradução inglesa deste último livro substituiu a palavra "amori" (ama) por "relações sexuais".
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No início do século XIX o novo substantivo "sexualidade" apareceu na discussão científica. Novamente, ao princípio, esta palavra somente referenciava-se à classificação quanto ao género masculino ou feminino. No entanto, algumas décadas depois, foi usado, para denotar uma preocupação com assuntos de cariz sexual, e, finalmente, passou a significar a posse de poderes sexuais ou da capacidade de sentimentos eróticos. Por isso mesmo, “sexualidade” agora indicava mais do que masculinidade ou feminilidade, e não era, necessariamente, sempre subjacente à relação homem-mulher ou à reprodução. A própria masturbação solitária podia agora ser entendida como comportamento "sexual", i.e., como uma expressão de "sexualidade" de alguém. Um bom exemplo dessa mudança conceitual é-nos fornecido pela tradução inglesa de um importante livro italiano desse período: O estudo de Mantegazza sobre os hábitos sexuais estrangeiros ("Gli amori degli uomini"), que foi traduzido em inglês como "As Relações Sexuais da Humanidade". O facto de "amori" (ama) ter sido substituído por "relações sexuais" marca o triunfo da investigação da era moderna do sexo sobre as abordagens tradicionais para o assunto. Por outras palavras, a antiga ars amatoria(arte do amor) foi posta de lado, sobressaindo-se, assim, uma nova scientia sexualis(ciência do sexo). "Amor" misterioso e sempre esquivo, parecia demasiado vago, poético e emocional, para ser um assunto abordado pela ciência. Posto isto, surgiu a palavra “sexo”, mais técnica e neutra, menos confusa, a qual poderia agora ser estudada de forma mais sóbria e controlada. O “Amor” tinha a conotação para a filosofia enquanto “relações sexuais” podiam ser classificadas e contadas.
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Edição americana de "Gli amori degli uomini" (Mantegazza).
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