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Em contraste com a infibulação relativamente simples por meio de um anel de metal, estamos aqui a falar de uma operação muito mais grave - uma total vulvectomia (muitas vezes também chamada de “circuncisão faraónica”): depois de uma excisão, ou seja, a remoção da glânde do clitóris e dos lábios interiores (pequenos lábios), os bordos exteriores (grandes lábios) também são parcialmente ou totalmente removidos. Os restantes bordos desses lábios são então costuradas, fechando a abertura vaginal. Apenas um pequeno buraco é deixado para a passagem de urina e sangue menstrual. Este é uma mutilação muito perigosa com consequências avassaladoras para a saúde das raparigas. Em primeiro lugar, a operação em si é perigosa (pode ser fatal) e as feridas costumam levar várias semanas a cicatrizar. (Como regra, as pernas das raparigas permanecem ligadas, durante este tempo, de modo a facilitar o processo de cicatrização. Um pedaço de madeira removível é inserido nas pequenas aberturas restantes para permitir a passagem de urina e de sangue menstrual.). Também, existe o perigo de hemorragia contínua e infeção. Em segundo lugar, a micção pode ser tão dolorosa que as raparigas evitam beber. Por outro lado, elas também podem ter a incontinência urinária. Para além disso, podem desenvolver-se excesso de tecido cicatricial, abscessos e quistos. Além disso, o sangue da menstruação, em vez de fluir livremente para fora, pode acumular-se no interior e, eventualmente, levar à infertilidade. Por fim, se várias raparigas forem cortadas com os mesmos instrumentos não esterilizados, existe o perigo de transmissão de hepatite e HIV / SIDA. No entanto, como veremos, estes não são de forma alguma os únicos problemas.
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Vulva infibulada |